quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Abandonado


Culpa da ressaca.

Pois é mês de férias a mazela reina, a ressaca impera e o mofo domina. Tirando a última parte, é tudo por causa da cachaça e dos amigos má influência.

Teve aniversário com o tradicional parabéns substituído pelo brega do momento ááÁ ááÁ, teve seqüestro para noitinha de cerveja no sítio, que levou todos a um estagio de quase morte, conversa pela madrugada e muita, mas muita ressaca.

A alma pede e o corpo agradece, um período de recuperação.

Assim, novos posts começarão a surgir - juro que prometo manuca!

Até logo menos!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

As três anãs

Cheguei cansada e de ressaca, apertei o botão do elevador que já estava subindo, quando escutei uma vozinha gritando e apertei outro botão antes que fosse tarde demais. Estavam lá, três ferinhas na selva, três crianças no salão de festa. Parei para falar com uma delas, que tem apenas três anos, mas não subestime sua capacidade de destruição de tudo que tem pela frente. E mesmo acabada decidi ficar cinco minutinhos, que se transformaram em meia hora.

- Tia conta a história da branca de neve, tu conta?

E se repetiu com a chapeuzinho vermelho, peter pan, a bela e a fera, ariel e a bela adormecida, que eu me lembre foram essas. Percebi que minha literatura infantil está esquecida, coloquei bruxa onde não tinha e não sabia onde estavam os sete anões, dos quais só me lembro do soneca e do zangado. E as pequeninas me olhavam como se eu tivesse contando tudo bem certinho. Mas o melhor mesmo foi deixar que elas contassem. Então eu falei é a vez de vocês, e a mais velha, mais falante e a mais rápida de todas, mal deixava as outras tentarem. Achei graça que as histórias contadas na versão dela duram apenas alguns segundos, mas quando eu contava ela queria que eu acrescentasse cada vez mais detalhes e me encheu com os famosos porquês.

- Ai era uma vez a bela/ariel/chapeuzinho. Ai ela foi andando. Ai apareceu a buxa. Ai ela era muuuito ruim. Ai foi felizes pa-ra sempe.

A história era sempre a mesma, não importava a personagem principal. E assim do jeito dela contar sempre com o Ai e com o final feliz. Ai Descobri que a bela adormecida dormiu por longos cinco anos, assim feitos com a mão para melhor me mostrar quanto aquilo era muito. A fera na verdade é muito bonita. A bruxa sempre é má. E o lobo não morreu, viveu feliz para sempre com a barriga aberta.

Ai A ressaca falou mais alto, então anunciei a minha subida.

- Crianças em coro: Ahh não!
- Pobre magra faminta:. É rápido eu preciso tomar café, eu volto!
- Criança nº 1 : Eu vou contigo!
- Criança nº 2: E eu também!
- P.M.F: Oh god!

Você não pode ir pra casa dela, falou Bia. Bia tem pequenos caixinhos claros, mora no andar de cima e é bastante mimada por todos aqui em casa, onde ela reina só, por isso ela foi logo vetando a amiguinha. Para o meu bem consegui convencê-las de que eu não ia demorar mais que cinco minutinhos, dessa vez mostrei com a mão também, mas como se significasse pouco. Eu só queria comer e dormir. E foram me enrolando. Você ainda não comeu? Não, eu acordei tarde. Vamos brincar de atirei o pau no gato? Tá bom, mas só uma vez. Depois de ensinar a segunda parte da música (que não atire o pau no gato porque isso não se faz o gatinho é nosso amigo e não se deve maltratar os animais MIAU!) Falei pronto, agora eu vou e prometo que eu volto. Tia porque tu veio hoje? E novamente CEC - Porque ela veio hoje? Nessa hora eu falei qualquer coisa ou então foi meu estômago. Mas tu vem amanhã?

Se eu sobreviver eu venho!

P.S: Manuca, descobre logo como faz pra escrever tachado aqui no blog, no word eu consegui, mas quando copio não vem pra cá!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A flor solitária


Falei dela no post abaixo e achei que não fiz as devidas apresentações.

- Mãe como que chama essa flor ai no jardim? Essa ai que da pra varanda, pro meu quarto e pro quarto de Bruna?
- Não sei, é uma que parecesse uma palmeirinha e ...
- É essa mesma, só tem ela lá, de onde ela vem?
- Quem me deu foi, foi ...

Ta bom ela não sabe, nem eu. Mas eu acho que foi um desses pássaros que vêm aqui toda tarde. Devem vir de manhã também, mas eu estou dormindo, então não importa. São pássaros feios, grandes e gordos. Eu fecho as janelas porque tenho medo deles. Já o beija-flor eu corro pra ver, abro a janela e ele foge. Uma vez montei uma tática, deixei aberta uma janelinha do banheiro, assim quando ele chegasse eu poderia observá-lo mais de perto, sem fazer movimentos bruscos. Ele chegou, e eu fui devagarzinho até o banheiro e tive a brilhante idéia de levar a câmera, ia ser uma bela foto, mas convenhamos que com uma câmera de 3.0 megapixels eu teria que fazer um verdadeiro milagre. Enfim a foto não saiu, mas o beija-flor está sempre por aqui.

Mas a flor então foi obra de um daqueles pássaros feios e assustadores, logo ela tão bonita, vai ver eles nem são tão maus assim. Ela é amarela, com sutis traços vermelho..ahh amarelo gosto tanto, mas evito usar porque eu acabo fico com a aparência pálida e as pessoas sempre perguntam se eu estou doente. Sempre as pessoas sendo indelicadas, mas isso é assunto para outro post que essa salada de frutas já está bastante sortida, que nem aqueles biscoitos naquelas caixas de metal, era tão bom. E lá vou eu pela tangente denovo, foi mal vovó a culpa é sua que gostava de fazer mistério com aquela caixa que as vezes ao invés de biscoitos tinha linha, agulha e botões, logo depois que eu tinha tanto trabalho para escalar os móveis da cozinha - a frustração. Pois bem, a flor solitária não me parece triste, todo dia ela sorrir ao ver o sol. Não é que nem eu, definitivamente, todo dia eu mando o sol tomar, quer dizer, mando ele voltar outra hora.

Na verdade minha mãe lembrou, só que quando veio me dizer foi a vez de esquecer meu nome, me chamou pelo nome de todas as irmãs dela que não são poucas, depois chamou o nome das minhas irmãs, e no final eu falei Cláudia mãe, é Cláudia. Antes eu falava logo que eu percebia que ela não ia adivinhar, mas hoje eu me divirto com isso, eu fico olhando a cara dela de desespero ao dizer todos aqueles nomes juntos me olhando e sabendo que não faz sentido. Enfim, foi uma amiga do trabalho que deu a ela a flor e eu descobri que só aqui, na minha janela, ela é solitária, porque tem um monte delas na casa dessa amiga da mãe.

O jardim

Toda vez que ficava com raiva ou brigava com alguém, era lá que me escondia, dentro do guarda-roupa, acho que foi assim que adquiri a claustrofobia. Hoje, mais esperta, eu prefiro o pequeno jardim da flor solitária à minha janela, é lá que vou quando quero fumar um cigarro, pensar na vida ou olhar o movimento dos carros, de dia ou à noite, mas eu prefiro à noite. Não que eu não pense ou não me chateie de dia, mas esse prédio ai que se vê ao fundo, quando estava em construção, era meu pesadelo. O porteiro interfonava e dizia, tem alguém ai no jardim? Eu perguntava por quê? Ele continuava: é que os pedreiros da obra ao lado mandaram avisar que tem alguém em situação de perigo e que pode cair. ¬¬ Tá obrigada por avisar, agora já não tem mais ninguém lá, posto que cá estou eu com você ao interfone! O que? Nada não, diga a eles que não se preocupem! Mas não contentes, eles ainda gritavam – saia daí! – vai cair!

Eu não entendia, será que eles já pararam pra pensar que eu posso gostar de me colocar nessa “situação de perigo”? Por que diabos eles achavam que eu queria me jogar? Tem telas sabiam? Vocês não estão vendo? Porque ao invés de ficarem procurando pessoas em perigo vocês não acabam essa obra porque eu já não agüento mais - eu pensava.
Mas lá estavam eles na incansável tarefa de me tirar o sossego.

Foi assim que abandonei o hábito de ficar ali de dia, logo de dia que a luz do sol me fazia quarar! Tá, tudo bem, a madrugada para mim sempre foi mais longa e eu nem gosto de sol, mas o fato era me tirarem a chance de tomar o sol na laje, isso eu não suportava..ah se eu não quisesse tudo bem, mas eu já não podia escolher.

Não sei o porquê desse lugar, mas lá eu encontro algumas respostas e é como se eu estivesse flutuando sobre a caixa do ar-condicionado, lá comigo só uma flor solitária, o resto da casa desaparece, até que alguém da janela ao lado bate (toc toc) e é impossível evitar o susto. Eu medrosa, no escuro, achando que estou sozinha e de repente aquele barulho para me tirar do verdadeiro transe que aquele lugar me traz. Mas não ficava com raiva, a pessoa da janela ao lado era/é a única que podia/pode me interromper assim bruscamente e eu pulava janela adentro, não assim como na foto, e eu ganhava sempre uns arranhões, mas tudo bem. E ai eram madrugadas inteiras conversando, não mais comigo mesma, nem com a flor solitária, mas com ela, a pequenina do quarto ao lado.

E eu nem sei por que eu cheguei nela, mas é que ela viajou e aqui do pc eu vejo o quarto dela vazio, assim como a casa que sem ela fica silenciosamente sem graça.

P.S: é, essas canetinhas ai são minhas, pra quem tinha alguma dúvida!

1st



Lá vai..


Manuca, você não entendeu quando eu disse que meus textos eram escritos para mim e que não poderia postá-los, porque seria uma grande exposição da minha figura e certamente me achariam doida.


Tá bom! E eu não entendi quando você disse que eu devia entrar no mundo dos blogs.
Mas acho que posso adaptar minha escrita para que ela não me revele tanto, nem me faça parecer maluca.

É nesse contexto que nasce esse bebêblog e o primeiro problema - arranjar um nome pra ele. Agora eu sei como os futuros papais e mamãe se sentem. Eu pensei em “palavras bêbadas” e não será difícil entender a razão, mas não seria um nome adequado para o blog de uma jovem senhorita. Na verdade primeiro eu pensei em algum sobretudo, mas como não era pra falar de moda ficou algo sobre o tudo.

Sem me prolongar mais nesse primeiro post, me senti na obrigação de definir, embora não goste de limitar. Enfim, o algo-sobre-o-tudo é fruto de uma esquizofrenia sadia e de um bombardeio de coisas que saem da mente direto pro papel, sem vírgulas, sem métrica, sem regras.

Eu misturo um assunto e outro, uma coisa e outra. É que na minha cabeça é um todo só, e as minhas lembranças são assim, misturadas, antagonicamente confusas e claras, com um pé no passado, que pode ser bem distante ou recentemente recente e outro em um presente exagerado ou às vezes inexistente. Se bem que nesse ponto a existência é relativa, porque depois que eu a escrevo ela é tão real quanto o papel, a pedra ou a tesoura. É disso que estava falando, do nada me vem à mente outra coisa e eu a jogo no meio, como se dele ela fizesse parte. Eu só sei que entre um garrancho e outro, um novo documento do word ou do bloco de notas, eu saiu escrevendo e digitando sem ponto final.

Hey ho, let’s go!