quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O jardim

Toda vez que ficava com raiva ou brigava com alguém, era lá que me escondia, dentro do guarda-roupa, acho que foi assim que adquiri a claustrofobia. Hoje, mais esperta, eu prefiro o pequeno jardim da flor solitária à minha janela, é lá que vou quando quero fumar um cigarro, pensar na vida ou olhar o movimento dos carros, de dia ou à noite, mas eu prefiro à noite. Não que eu não pense ou não me chateie de dia, mas esse prédio ai que se vê ao fundo, quando estava em construção, era meu pesadelo. O porteiro interfonava e dizia, tem alguém ai no jardim? Eu perguntava por quê? Ele continuava: é que os pedreiros da obra ao lado mandaram avisar que tem alguém em situação de perigo e que pode cair. ¬¬ Tá obrigada por avisar, agora já não tem mais ninguém lá, posto que cá estou eu com você ao interfone! O que? Nada não, diga a eles que não se preocupem! Mas não contentes, eles ainda gritavam – saia daí! – vai cair!

Eu não entendia, será que eles já pararam pra pensar que eu posso gostar de me colocar nessa “situação de perigo”? Por que diabos eles achavam que eu queria me jogar? Tem telas sabiam? Vocês não estão vendo? Porque ao invés de ficarem procurando pessoas em perigo vocês não acabam essa obra porque eu já não agüento mais - eu pensava.
Mas lá estavam eles na incansável tarefa de me tirar o sossego.

Foi assim que abandonei o hábito de ficar ali de dia, logo de dia que a luz do sol me fazia quarar! Tá, tudo bem, a madrugada para mim sempre foi mais longa e eu nem gosto de sol, mas o fato era me tirarem a chance de tomar o sol na laje, isso eu não suportava..ah se eu não quisesse tudo bem, mas eu já não podia escolher.

Não sei o porquê desse lugar, mas lá eu encontro algumas respostas e é como se eu estivesse flutuando sobre a caixa do ar-condicionado, lá comigo só uma flor solitária, o resto da casa desaparece, até que alguém da janela ao lado bate (toc toc) e é impossível evitar o susto. Eu medrosa, no escuro, achando que estou sozinha e de repente aquele barulho para me tirar do verdadeiro transe que aquele lugar me traz. Mas não ficava com raiva, a pessoa da janela ao lado era/é a única que podia/pode me interromper assim bruscamente e eu pulava janela adentro, não assim como na foto, e eu ganhava sempre uns arranhões, mas tudo bem. E ai eram madrugadas inteiras conversando, não mais comigo mesma, nem com a flor solitária, mas com ela, a pequenina do quarto ao lado.

E eu nem sei por que eu cheguei nela, mas é que ela viajou e aqui do pc eu vejo o quarto dela vazio, assim como a casa que sem ela fica silenciosamente sem graça.

P.S: é, essas canetinhas ai são minhas, pra quem tinha alguma dúvida!

Um comentário:

Manuca de Paula disse...

sua foto "volitando" varanda afora está hilária!!!